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    May 23

    Em tempos de fúria

    Obrigado pelos comentários do último texto. Sinto-me cativado a escrever e publicar novamente. Desta vez arriscarei no verso, mudando um pouco o tom do blog.


    Há bastante tempo atrás eu coloquei esse poema numa comunidade do orkut e ele foi ressuscitado recentemente por colega. Resolvi então colocá-lo aqui. Os versos falam de momentos de tensão, pelos quais muitas vezes passamos. Quem sabe eu ressuscito também o Mar de Sargaço...

     

    "EM TEMPOS DE FÚRIA

    Em tempos de fúria vamos falar
    De nosso corpo em vida viril
    Quando quero do abismo jogar
    A minha alma que nunca existiu

    Em tempo de fúria não aguento mais
    As dores do parto de quatro anos.
    O grito dum maldito sentimento
    Oprimido porque não nos falamos.

    Em tempos de fúria vamos acender
    Um fogo com livros para dançarmos
    Em êxtase até amanhecer
    Quando um sol em sangue iluminarmos.

    Em tempos de fúria preciso ouvir
    Só seu silêncio de contentamento
    Para esta dor eu não mais sentir
    Num eterno e exclusivo momento.

    Em tempos de fúria preciso que
    Me enterre logo em vala comum
    E ponha uma lápide sem nome
    Só uns versos, nem que seja um só.

    Em tempos de fúria nós dois devemos
    nos fundir ao que um dia criamos
    Nada mais existe para perdermos
    Porque ambos sabemos que estamos

    Em tempos de fúria."